sábado, 19 de fevereiro de 2011

Encontro inesperado

Quem nunca encontrou um parente que não se tem muito contato em algum lugar público definitivamente não sabe como é estranho! Ah, e parabéns por isso!!
A sensação de não saber o que falar, de às vezes nem lembrar o nome da filha do parente, de pensar que é uma filha e ser filho, pensar que é filho e ser filha, pensar que é filho e na hora ser filho mesmo mas por um instante você pensava que tava errado e sai um Filhado...Péssimo!
Hoje, passeando por um shopping da capital, me deparo com um desses casos.
- Ah, tio?
- Lindaaaaa! [abraços, abraços e mais abraços como se fizessem mil anos que não me viam.mas só foram 999!]
- Tudo bem, tio? (Sim, você repete o grau de parentesco com ele em todo final de frase pra ter certeza que é esse mesmo)
- Tudo bem, minha linda (daí você começa a desconfiar que ele também não faz a mínima idéia de quem é você)! Como vai sua mãe?
- Vai bem, bem, tio! E a Tia, como ta?
- Tá bem, ta bem! Tá vindo ali com as compras!
-Que bom, que bom!  (aqui você começa a repetir frases involuntariamente, em uma tentativa frustrada  e desnecessária de encompridar a conversa). E como é que o senhor ta?
- Bem, bem!!
(Aqui acontece a PIOR parte: o silêncio! Inacabáveis 20 segundos entre olhar a suposta tia e ela chegar onde você está)
-Minhaaaa lindaaaa!! (Aí você tem certeza que nem ele, nem ela sabem seu nome!)
- Oi, tia!! Como é que estão as coisas?
- Bem, bem! Como é que ta sua mãe?
- Bem, bem! E como é que estão as coisas?
- Bem, bem!
(Nesse momento algo em vocÊ nota existe alguém junto com a “tia” e que muito provavelmente é a filha do casal, mas o resto de você não digere essa informação e solta a pergunta:)
- E cadê a fulana [filha do casal]
- Tá aqui do me lado! Não reconhece mais a prima não??
Uma onda vermelha toma conta do seu rosto, uma gagueira repentina atinge sua fala. A suposta prima comenta seu cabelo: Ah, teu cabelo ta grande, né? Da última vez eu te vi ele tava preso, por isso que não percebi o quanto era grande.
Peeeeeeeeeeeeeeeeiiiinnn [isso foi a tentativa frustrada de fazer a onomatopéia de uma sirene] ERRADO! Da última vez que ela te viu, nem cabelo você tinha na cabeça!!
Mais alguns intermináveis segundos de silêncio até que o tio quebra:
- Como é que vai a mãe?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pra não dizer que não falei de sobre o medo.

Há tempos eu faço rascunhos de um texto sobre medo. Na verdade, eu queria escrever algo que se encaixasse nesse título que vocês vêem acima, mas sempre caia em medos existenciais, o que não convém falar aqui. Talvez até convenha, já que o blog é meu e eu falo do que quiser, mas não me sinto a vontade falando de medos existenciais com as almas que aqui habitam/visitam.
Também não queria falar de medos superficiais, como a minha fobia de aranhas ou qualquer ser que tenha mais que 4 patas, porque acho que seria dar muita intimidade.
Então não me sobrou nada. Não querer falar nem da superfície nem da existência, não há mais nada a ser dito...Errado.
Quando era criança, eu ia a um parque de diversão que chegava na minha cidade no começo das férias para passar uma temporada de 3 meses. Eu ia em TODOS os brinquedos! Gritava, aplaudia, cuspia nas outras crianças quando eu estava de cabeça para baixo em um brinquedo...isso tudo de olhos abertos, afinal, eu era uma criança muito corajosa. Mas havia um brinquedo que eu paralisava: a Casa do Terror (ou Trem Fantasma, tanto faz!). Eu sempre ia, mas eu NUNCA abri o olho. Não sei o que tem lá dentro! Sei que as pessoas gritam, há uma música sinistra e gemidos, mas visualmente, não conheço. E nem sei se conhecerei.
Não sei exatamente o por quê disso. Talvez eu tivesse medo, talvez eu quisesse evitar o constrangimento de rir dos  patetas que se assustam com aqueles gemidos...mas especular sobre talvez trouxesse a tona os meus medos existenciais e aí eu voltaria para o início do texto fechando um ciclo. O que não valeria a pena...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nem tudo é o que parece

Estavam no carro, lado a lado. Ele, impaciente e com suor no rosto, apertava a buzina como se aquela fosse o dedo da mãe de uma criança que acaba de descobrir o que é o apertar. Ela, atrapalhada como sempre, tinha a bolsa aberta no chão do automóvel. Seus cadernos estavam apoiados nas pernas, cobertos por uma toalha. Ali, ela tentava pintar as unhas. Sim, pintar as unhas  em um carro em movimento.
Nem tanto movimento assim: a rua era estreita e o sinal estava fechado. A distância de um carro para outro era certa para a lei.
Os dois permaneciam em silêncio. Não estavam brigados ou chateados um com o outro. O silêncio provinha da distração: ele pensava em como é que poderia existir uma rua tão estreita como aquela, no por quê das pessoas escolherem passar justamente por ali naquele mesmo momento que ele e,  principalmente, em como o sinal vermelho tinha a capacidade de demorar tanto tempo para ficar verde. Ela cantarolava mentalmente uma canção que aprendera mais cedo.
O sinal continuava fechado. O semblante dela estava calmo, quase expressava uma felicidade por estar a um triz de finalizar aquela tarefa que, aos seus olhos, nada tinha de fútil. Ao contrário, era uma atividade que exigia muita concentração, força de vontade e coordenação motora (aliás, aspectos que quase inexistiam nela). O dele demonstrava sinais cada vez mais irritados decorrente do calor e do barulho que aquela longa fila de metal [não] andante fazia. A irritação aumentava à medida que sentia a gota de suor escorrer por sua testa, descer  pelos seus olhos e finalizar em seu pescoço.
Finalmente o sinal abriu. Ela nada percebeu além de seu [quase]perfeito trabalho com as unhas. Ele exibia um meio sorriso de quase satisfação por sair daquele mormaço e aliviar o calor com o vento que entraria pela janela.  Entraria. Não entrou porque o carro da frente freou bruscamente.  Pela distância, ele conseguiu frear, felizmente. Infelizmente, quem não conseguiu frear foi o motorista do carro que estava atrás.
 Ele se espantou, limpou mais uma vez o suor da testa, fez carão. Pensava seriamente em sair do carro com o extintor e quebrar o vidro do infeliz que ia atrasar seu destino e o fazendo ficar mais tempo sob aquele sou torturante! Abaixou a cabeça sobre o volante por um segundo e a ao levantar, lembrou que não estava sozinho no veículo. Olhou para o banco do passageiro e se deu conta que ela não estava lá. Nem o extintor.  Virou os olhos para fora e lá estava ela esbravejando impropérios que uma pessoa pode conhecer durante toda uma vida promiscua.:
- Filho d’uma puta! Minha unha!! Minha unhaaa!!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Alice

Sentia, no âmago da sua espinha, que precisava derramar algumas lágrimas pra que tudo pudesse voltar ao normal. Escutara mais cedo algumas palavras que não fizeram muito sentido no momento (nem depois, diga-se de passagem), mas que mostraram à ela que pode existir uma coisa muito além daquilo que se é, e que talvez ninguém consiga entender aquilo, mas  o sentido que isso faz pra quem o fez é algo que só quem fez poderá entender.
Acreditava que isso já não mais merecia sua atenção. Pensava agora em como os cabelos laranja do amigo eram realmente bizarros. Não que ela tivesse propriedade para desaprovar o gosto capilar de qualquer pessoa, mas achava realmente muito esquisito uma pessoa de quase meia idade querer esconder os sinais (inevitáveis) do tempo com uma tintura para cabelos laranja!
Voltou seus pensamentos para ele. Não conseguia entender quão profundo poderia ser seus sentimentos! Desconhecia aquela sensação. Vivera pouco em relação aquilo. Era sonhadora: imagina seu grande amor, a grande declaração como se estivesse num filme meia boca de romance [desses que passam quase todo dia na madrugada, onde do nada o protagonista pega um microfone e, sem saber cantar, arrasa no vocal com uma linda canção de amor sendo ele acompanhado por toda uma praça, onde pessoas, que saem não se sabe de onde, tocam instrumentos de diversos tipo e segundos depois são meros transeuntes aparentemente normais, sem quaisquer habilidades extraordinária de canto e dança.
Parou de pensar simplesmente. Ou pensou que parou. Fazia agora um metapensamento. Pensava sobre o próprio pensar, sem os aforismos e viagens de filósofos que tanto odiava estudar. Estudava porque era preciso, mas odiava cada maldita palavra saída da boca de cada maldito autor de cada maldita era. Odiava o mundo agora. Dois segundos depois, o amava novamente com uma intensidade indescritível. Sofreu por mais alguns segundos só por pensar na Bomba atômica e no cachorrinho que havia atropelado sem querer em frente ao parque. “Sim, foi sem querer”, pensava ela. Afinal de contas, ele passou em frente ao carro sem olhar para os dois lados antes. Acreditava que toda mãe que era realmente mãe, ensinava ao filho que ele tem que olhar para os dois lados antes de atravessar a rua! Que absurdo! Mas talvez aquele pobre cachorro não tivesse mãe. Talvez, ela tenha sido a maior cachorra do mundo e tenha abandonado aquele pobre filhote às mazelas que o mundo pode oferecer. Mas pensando assim, a culpa seria dela, e não mais do cachorro que atravessa as ruas sem olhar para os lados. Ela que não olhou para frente enquanto ia atravessar uma faixa de pedestres. Ironias da vida: o cachorro estava na faixa de pedestre, curiosamente...
Voltou seu pensamento a ele e em quando ia tomar coragem de dizer tudo que estava engasgado e guardado a sete chaves. Sabia que aquele poderia ser o último dia da sua vida, ou o penúltimo, não importava! Tinha certeza de que a qualquer momento iria morrer, só não tinha certeza de que momento era esse. Podia ser agora e...e levou a mão no rosto para coçar o nariz. Era a mãe com uma pena de ganso lhe fazendo cócegas para indicar que o dia amanheceu e que era hora de acordar para ir a escola...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

É preciso começar

Queridos e queridas, caros e caras, é preciso começar.
Desde muito tempo tenho a vontade de montar um Blog pra escrever qualquer asneira que passasse pela minha cabeça, mas sempre existia um porém, e na maioria das vezes, esse porém se chamava "Preguiça". Quando não era preguiça, eu tinha medo de começar um, ficar famosa e ter que escrever coisas para as pessoas e não mais pra mim mesma. Quanta prepotência! Mal sei pontuar, avalie ficar famosa por causa da escrita. Um sonho? Talvez. Mais aí fecha-se um ciclo. Sim, pois pra realização de sonhos é preciso o AGIR, mas este é o arque inimigo da Preguiça..e o resto você deduz.
Ah, a distração também é outro elemento componente intrínseco do meu eu. No intervalo entre escrever esse texto e publicá-lo, já assisti vídeos no Youtube, vi o Corinthians [mais uma vez] perder [não que eu ligue pra Futebol! Acredite, eu não ligo], me inscrevi em um site para aprender inglês grátis...o que contabiliza quase 2h para escrever no máximo 20 linhas.
Tinha coisas importantes pra falar num começo como esse, mas aqueles elementos eu citei inicialmente não estão permitindo que eu continue. Posso falar do nome do Blog (Dúvida e meia), se eu tivesse algo pra falar dele. Achei que o nome fosse auto-explicativo...e mesmo se não for, meus textos irão explicá-lo. Ou não! Viu? Dúvida! A meia é só para os dias de frio! TumTumTs

É isso! Quando alguma besteira passar pela caixola apareço por aqui!! =)